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Estabilidade do Core

20.07.2021 0

O Core pode ser descrito como uma caixa cilíndrica, constituída pelos músculos rectos abdominais, oblíquos, transverso abdominal, multífidos, os glúteos, o diafragma em cima e o pavimento pélvico em baixo¹. Tem importância na manutenção do equilíbrio da coluna vertebral e o seu funcionamento pode prevenir perturbações, que possam vir a comprometer a sua integridade estrutural².

Neste artigo vamos elucidar sobre a importância dos músculos da lombar e do diafragma como estabilizadores estruturais e facilitadores do movimento.

Alguns autores visualizam o Core numa perspetiva funcional, descrevendo-o como um conjunto de estruturas responsáveis pela formação de uma cadeia cinética, que facilita o movimento, e na transferência de pesos, entre parte superior e inferior do corpo em todas as atividades do dia-a-dia, em exercício ou a praticar algum desporto².

O Modelo Panjabi³ explica a estabilização do Core através da interdependência de três subsistemas: passivo, ativo e controle neural.

Compete à componente passiva a restrição do movimento, impedindo o movimento em excesso, através de recetores sensitivos. Ao sistema ativo compete executar as respostas vindas do sistema neural para que se dê a estabilização da coluna. O subsistema neural é o elo de comunicação entre os subsistemas anteriores (activo e passivo), o qual recebe informação de vários recetores, sobre o movimento, velocidade e posição dos segmentos e envia sinais de resposta às alterações do alinhamento desses segmentos. Os três subsistemas trabalham assim em sinergia e são todos necessários para a manutenção da estabilidade do Core.

As evidências científicas demostram:

  • Uma associação entre as queixas da dor lombar a uma diminuída capacidade do Core principalmente ao nível dos músculos transverso e multífidos, limitando a sua eficácia na estabilização da coluna.2
  • A importância do diafragma como contribuidor de estabilidade do tronco, não só pela sua inserção anatómica na coluna vertebral, mas pela sua ação aquando a contração em que aumenta a pressão intra-abdominal, minimizando a deslocação das vísceras abdominais para o espaço torácico, em conjunto com os músculos abdominais, concedendo o aumento da estabilidade espinal.6
  • Que realizar uma série de 4 minutos de respiração diafragmática (respirar pela barriga) ajudam no aquecimento de todos os músculos do Core e, em desportos coletivos como por exemplo no futebol, quando realizados ao intervalo também podem aumentar a perfusão sanguínea em músculos ativos (tais como os membros inferiores), promovendo assim uma melhor capacidade na segunda parte.7
  • Que os programas de fitness, tais como Pilates ou Yoga, melhoram a capacidade funcional e estabilizadora do Core,  demostrando uma evolução global do Core tanto na prevenção de lesões como no aumento do rendimento em atletas8, sendo por isso fundamental a inclusão de programas adaptados a cada indivíduo que tenha como objetivo o reforço e a ativação dos músculos que compõem um dos principais elementos estruturantes do nosso corpo.

Referências Bibliográficas

1 Tinto, A., Campanella, M., & Fasano, M. (2017). Core strengthening and synchronized swimming: TRX® suspension training in young female athletes. The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, 744-751.

2 Bliven, K., & Anderson, B. (2013). Core Stability Training for Injury Prevention. American Orthopaedic Society for Sports Medicine.

3 Panjabi, M. (1992). The stabilizing system of the spine. Part I. Function, dysfunction, adaptation, and enhancement. Journal Spinal Disord, 383-389.

4 Bergmark, A. (1989). Stability of the lumbar spine: A study in mechanical engineering. Acta Orthopaedica Scandinavica, 1-54.

5 Kocjan, J., Gzik-Zroska, B., Nowakowska, K., Burkacki, M., Suchoń, S., Michnik, R., . . . Adamek, M. (2018). Impact of diaphragm function parameters on balance maintenance. Bernadette Ann Murphy, University of Ontario Institute of Technology, 1-14.

6 Hodges, P., & Gandevia, S. (2000). Activation of the human diaphragm during a repetitive postural task. The physiologial society, 165–175.

7 Tong, T., Baker, J., Zhang, H., Kong, Z., & Nie, J. (2019). Effects of Specific Core Re-Warm-Ups on Core Function, Leg Perfusion and Second-Half Team Sport-Specific Sprint Performance: A Randomized Crossover Study. Journal of Sports Science and Medicine, 479-489.

8 Akuthota, V., Ferreiro, A., Moore, T., & Fredericson, M. (2007). Core Stability Exercise Principles. American College of Sports Medicine, 39-44.